postheadericon Algumas verdades sobre o mercado de trabalho – parte 1

Desde que se trabalha no mundo, fala-se e ouve-se conselhos de toda a sorte sobre como agir, da entrevista de seleção, ao dia-a-dia. E desde que a internet é algo que algumas (não todas) empresas costumam olhar, há ainda mais conselhos de conduta e etiqueta. Como bom revoltado que pensa de ladinho (tm EU), eu nunca gostei de muitos destes conselhos e concordo com a minoria sobre internet. Ao menos do ponto de vista prático, como selecionador e como empregado.

Além de ter atuado na área, gerido algumas pessoas e me graduado Bacharel em Administração (se você não tem um diploma, não se engane, não é grande coisa), eu gosto de analisar as pessoas do meu jeito, seu comportamento e a reação de terceiros. Eu tenho uma tocada a lá psicólogo barato e não graduado, mas acho realmente legal poder, ou pelo menos tentar “ler” as pessoas e seu modus operandi. Tudo isso me dá uma boa noção do que realmente acontece, e do que eu concordo, ou não.

O texto pode ficar comprido, mas eu já aviso, isso pode lhe ser útil. Como jovem que vai começar a trabalhar agora e pode formar seus conceitos, ou como chefe há 20 anos, considero uma leitura válida. Mesmo que seja para pensar que não concorda. Faz parte da formação de opinião.

 

O processo seletivo para um emprego

 

Na maioria das vezes, tudo começa com uma empresa anunciando uma vaga e um pretendente à mesma enviando ou entregando seu currículo. Aqui no Brasil, pelo menos, começa errado por aí (na verdade antes, porque tem muito, muito currículo feio, péssimo, mal feito e com informações desnecessárias). A empresa geralmente divulga o ramo de atuação e o que requer do candidato. Muitas vezes não divulga nem o bairro onde o profissional deve atuar. Ora meus amigos, economizem o tempo de todos! Há um abismo no que tange a escolher uma vaga de trabalho quando dizem que a empresa fica no bairro da minha casa, ou há 3 horas de trajeto para ir, mais três para voltar. E mesmo a entrevista sendo onde Judas perdeu as meias, há a expectativa de que a vaga talvez seja em outra filial ou sede da empresa, então o pretendente acaba atendendo a seleção, ás vezes á toa e desperdiçando o tempo de todos – empresa e funcionário.

 

Pior, não divulgam salário. Divulgam “salário compatível”. Compatível com o que meu amigo? Compatível com o que a empresa pode pagar, com o que o funcionário considera o mínimo para sobreviver, compatível para um padrão de luxo, compatível para trabalhar e ainda sim ganhar Bolsa Família… Compatível, hein? O meu amigo Rodrigo Fante, que já morou nas terras da Rainha Elizabeth, costuma comentar que salário, benefícios, horário e local de trabalho são coisas mais do que básicas na divulgação de anúncios de emprego por lá e por boa parte da Europa. Como pretendente a uma vaga, eu já passei por três entrevistas diferentes na mesma empresa para só então descobrir o salário e benefícios. Fizeram a diretora geral da área se deslocar de São Paulo a Florianópolis pra vir aqui, me aprovar e só numa entrevista posterior me divulgarem que pretendiam pagar a metade do que eu recebia, para trabalhar mais e numa vaga semelhante à que eu tinha naquele momento. Ou seja, todos perdemos tempo. A empresa me encontrou três vezes, eu perdi três dias.

Hoje, já mais maduro (e veja, eu tenho apenas 23), eu nunca mais sairia de uma primeira entrevista sem saber quanto poderia esperar ganhar. Não faça o mesmo. E como gestor, eu não faria nada parecido com o que a tal empresa fez comigo. Eu divulgaria “esta vaga pagará R$1.800 mensais + X benefícios”, por exemplo, e ponto, é simples. É pouco para o candidato? Ele nem manda currículo, nem fica com falsas esperanças. É uma quantia boa? Que bom, pode atrair mais gente de qualidade. O que não pode é desperdiçar o valioso tempo de quem procura trabalho, quem procura funcionário, executivos de RH, ás vezes consultorias que cobram por hora, por conta de minúcias que poderiam ser adiantadas de forma simples.

 

A entrevista também possui sérios problemas. De verdade. Eu acho que executivo de recursos humanos que fica com “fale sobre você”, “três defeitos, três qualidades” e outras porcarias de frases feitas não sabe bem o que está fazendo. Ou procura um competidor para joguinhos de raciocínio rápido e criação de frases, eu não sei. De alguns destes psicológicos eu duvido, mas tolero. O problema é realmente ter de ir na empresa para um papo de robô. Porcaria! Quer me fazer perguntas prontas, espere respostas prontas! Melhor, mande as perguntas por e-mail pro funcionário. De novo, economize tempo com essa bobagem. Eu realmente acredito numa conversa franca como parte do processo de seleção. E depois disso o funcionário sempre estará sendo avaliado, seja no processo de experiência, seja depois.

Pergunta incrível, incrivelmente repedida número 1: “diga-me suas três principais qualidades”. Agora, o que você, como pessoa – desligue o executivo em você, caso você trabalhe no RH – pensa quando ouve isso? Qualidades ou o que o sujeito quer ouvir? Conto que eu troco um chuveiro em cinco minutos, mesmo a vaga sendo para analista de finanças? Conto que eu cobro falta como ninguém no futebol? Eu poderia ser uma boa aquisição pro time da empresa. Conto que eu consigo beber uma garrafa de Vodka em meia hora e não morrer de coma alcoólico? – São todas coisas notáveis, mas o sujeito quer saber algo para o emprego, então diga qualquer merda que ele queira engolir, você finge que faz isso, ele finge que gosta e todos seguem felizes.. exemplo: criativo (arrumo mais trabalho), prestativo (pau mandado), observador afirmativo (puxa-saco). Pronto, você enganou o teste e o sujeito do teste foi enganado, mesmo sabendo que ia ser.

Outra pergunta incrível: “onde você se vê daqui 5 anos?” Resposta adequada: sendo seu superior e te despedindo por fazer estas perguntas cretinas. Ou como diria Peter Griffin…

(dica para a questão sobre fluência em inglês: se você não entender o vídeo, mesmo com legendas, nem cogite mencionar o idioma no currículo).

 

Continua amanhã…

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