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Algumas verdades sobre o mercado de trabalho – parte 2
Ontem, dei início a um texto sobre como desenrolam-se e como de fato são algumas coisas no trabalho, abordando a parte das entrevistas e seleções. Seguimos falando agora sobre o momento durante a sua jornada em uma organização, o emprego propriamente dito – ou como o empregador pode abordar tudo isso, ou talvez devesse.
Não leu o texto anterior? Leia primeiro!
O dia-a-dia no emprego
Ok, você finalmente venceu a maratona das entrevistas e conseguiu seu emprego! (Isso parece a narração naqueles “tutoriais” do Pateta, não?) Aqui ainda há pontos que podem ser usados na fase pré-emprego (a entrevista) e outros no dia-a-dia. Vejamos.
Uma coisa muito comum, mencionada horrendamente em excesso na tv e em publicações especializadas é sobre a sua vida virtual e sobre quanto ela fala sobre você. Que por exemplo, você não deve comentar no facebook ou orkut sobre o que você faz de reprovável. Dica número 1, “reprovável” é ter um orkut, uma vez que a empresa sabe que você tem orkut, não há nada de bom a esperar, exceto…
Algumas verdades sobre o mercado de trabalho – parte 1
Desde que se trabalha no mundo, fala-se e ouve-se conselhos de toda a sorte sobre como agir, da entrevista de seleção, ao dia-a-dia. E desde que a internet é algo que algumas (não todas) empresas costumam olhar, há ainda mais conselhos de conduta e etiqueta. Como bom revoltado que pensa de ladinho (tm EU), eu nunca gostei de muitos destes conselhos e concordo com a minoria sobre internet. Ao menos do ponto de vista prático, como selecionador e como empregado.
Além de ter atuado na área, gerido algumas pessoas e me graduado Bacharel em Administração (se você não tem um diploma, não se engane, não é grande coisa), eu gosto de analisar as pessoas do meu jeito, seu comportamento e a reação de terceiros. Eu tenho uma tocada a lá psicólogo barato e não graduado, mas acho realmente legal poder, ou pelo menos tentar “ler” as pessoas e seu modus operandi. Tudo isso me dá uma boa noção do que realmente acontece, e do que eu concordo, ou não.
Não, eu não tenho experiência com o “Mãe Joana 2.0”. E daí?
Há certo tempo deixei meu último ofício remunerado e estou desempregado prospectando ofertas pertinentes e/ou promissoras no mercado de mão-de-obra intelectual. E isso trás consigo, vantagens e desvantagens. Vantagem é ter mais tempo para você, para projetos paralelos, para blogar ás 4 da tarde de uma quarta-feira e até encarar uma prainha no meio da semana se eu quiser – afinal, morar em Floripa tinha que ter alguma vantagem. Desvantagem é menos dinheiro e algumas outras besteiras. Basicamente dinheiro, eu trabalho por dinheiro e não seja hipócrita de me ler enquanto pensa “ah eu gosto de trabalhar e busco auto-realização”. Eu me auto-realizo e satisfaço quando faço um bom churrasco, quando irrito gente ainda mais chata que eu, quando meto três numa noite, quando escrevo um bom post, quando sou reconhecido por N coisas que posso fazer, mas eu sei que estas coisas não vão pagar as compras do mercado ou o Sr. Barriga quando ele bater à minha porta. Então, antes de mais nada, eu trabalho por dinheiro, e as pessoinhas que trabalham com marketing e juram que o negócio serve para “satisfazer necessidades e desejos do público-alvo e organização, buscando uma relação ganha-ganha para ambas as partes e trálálá guaraná com rolha”, que paguem suas contas com um sorriso. Não sei seus credores, mas eu prefiro receber em espécie, transferência bancária ou PayPal.
Outra vantagem interessante é realmente ter (muito) tempo livre pra analisar coisas que você não perdia tempo pra olhar a um tempo atrás. E aí você vê diferente o caderno de empregos do jornal mais próximo ou da Catho on-line.
Primeiro: como tem vaga pra puta. Sério, se você é gostosa e passa fome ou decide roubar é porque é burra. Não estou mandando toda mulher necessitada virar puta, só estou dizendo que roubar não é exatamente falta de opção pra algumas – assim como homens podem jogar bolinhas no sinal ou se oferecer pra limpar um jardim, por exemplo. Compre um jornal qualquer, dois reais o Diário Catarinense, repleto de vagas para “acompanhantes para festas e eventos”. Mas claro, é proibido por lei anunciar esse tipo de trabalho, então eu finjo que não são vagas para putas. Se bem que aquele jornal já anunciou até “mulher com vírgula, diferenciada e disponível”…![]()
Ok, mas aí você procura vagas pra sua área. Administração é o que estudo, me dou bem com quase tudo (mesmo), aí vejo desde vagas para auxiliar administrativo (leiam: peão de escritório/severino/faz tudo) à gerente financeiro, onde tenho mais experiência e até um certo mimo pela área.
E os anúncios são incríveis! Exemplo típico:
Auxiliar de recursos humanos
Cursando ensino superior ou formado em administração ou contábeis; boa desenvoltura com informática e digitação; habilidade com Windows¹ e pacote Office; experiência na área; domínio do sistema “orientador”²; facilidade de aprendizagem. (…)
¹ Não, ninguém que saiba mexer com informática compreende o complexo e randômico Windows. Todo mundo nasce operando BSD.
² Substitua pelo que quiser: Desbravador, CaféExpress5.0, PseudoPharma Plus, Érriagá Ágil, Navegante, Turista Master, Fuck-you-I-don’t-give-a-shit8.3, MSN Messenger Blocker, [insira o nome da sua mãe], tanto faz.
Raios, porque diabos você, empregador idiota, se importa tanto com um sistema escroto que só a sua lojinha de muambas possui? Você não quer um sujeito com facilidade de aprendizado, dinâmico e tudo mais? Então o sujeito que é muito melhor e tem muito mais experiência ou formação, não é capaz de assumir a sua vaga só porque ele nunca teve a “honra” de trabalhar com o sistema super legal que seu sobrinho “hacker” desenvolveu?
Mas não era pra ser, supostamente, alguém que aprende rápido?
Sério, eu não consigo fazer a ponte lógica entre isso. Aprendizado fácil, dinamismo e experiência num sistema que qualquer um pega as manhas e “domina” após 5 minutos fuçando. Se fosse Photoshop, Excel, SonyVegas, Corel, Access, entre outros programas realmente interessantes e mais complexos, tudo bem, justifica-se a experiência anterior, mas pra qualquer coisinha?
Depois eu tenho o desgosto de ver empresário metido a bem sucedido falando na mídia “ah emprego no mercado? Tem sim, não tem é pessoal qualificado.”
Claro…![]()
Pós-venda sério? Sim, existe por aqui!
Praticamente comecei o Segunda Opinião criticando meia dúzia de empresas de comércio e serviços e quem me conhece acaba por presenciar ainda mais casos bizarros. Talvez eu volte a contar novos casos, ao menos quem não gosta de mim, se diverte, rá!
Mas quando o inverso é verdadeiro, me sinto obrigado a relatar da mesma forma. Um sabadão desses, já devia ser umas 23h e estava sem vontade de sair ou vontade de cozinhar algo decente. Olhei pra patroa, ela pra mim e… pizza!
Sabemos que pizza é unanimidade nacional, brasileiro ama uma pizza e não cansa de provar isso, reelegendo os mesmos safados representantes da cada dois anos (sim, dois anos, o jargão insiste nos quatro anos, mas bienalmente temos a obrigação do voto, só troca a esfera: municipal/federal-estadual/municipal/federal-estadual… entenderam, né?)
Após um tempo trocando de pizzaria e outro sem utilizar o serviço, resolvi voltar a pedir na Bella Pizza e uma rápida olhada nos meus contatos no MSN (Windows Live Messenger, eu sei, mas ainda não acostumamos a chamar de WLM) ajudou na escolha. Simples, como toda empresa que não parou no tempo, os caras estão na web, têm site com toda a carta de pizzas, massas, bebidas e o que mais quiserem pôr a venda. Da mesma forma, há alguém atendendo a um simples duplo clique no contato da pizzaria no programinha de jogar papo pro ar – e fazer negócios, no caso deles.
Chamei lá, dei “boa noite”, confirmei meu cadastro e fiz o pedido, seria pizza meia canadense ao creme e meia do Chico (não me perguntem porque diabos tem esse nome que remete à pescador no caso de Floripa, e à menstruação como cultura geral). Claro, a Coca-cola indispensável no pacote, a confirmação do prazo de entrega e um sóbrio “boa noite” para me despedir do indivíduo que me atendeu.
Ok, passam-se uns 45 minutos e o boy aparece aqui no prédio com meu pedido. Depois que ele entrega, recebe e se despede é que vou conferir a pizza (isso é um erro, aprendam comigo!), na verdade o intuito era abrir a caixa e sentir o aroma da coisa, que sempre me derruba. Só tinha um detalhe estranho, a pizza canadense estava perfeita, apesar da viagem de uns 10.000km ela resistiu inteira, já a metade do Chico estava um tanto quanto peculiar. Explico, “do Chico” é na prática: “molho de tomate fresco, mussarela, bacon, calabresa sem gordura (note a minha preocupação com alimentos saudáveis), ovos salpicados com parmesão e um leve toque de catupiry”. E o que eu vi era uma massa de queijo e pequenos pedaços de carne. “What the fuck?”, falei alto, sem entender. Manu veio conferir e disse o mesmo. Depois constatamos que provavelmente seria filé mignon.
Legal, alguns devem estar se perguntando porque pedi uma pizza mais barata, recebi uma pizza mais cara e acho ruim. Lógico! Não são os 4 a 6 reais de diferença que me fizeram não escolher a de filé, foi gosto pessoal e pelo menos naquele dia eu não queria exatamente filé mignon ao queijo.
Abri o MSN ainda confuso, aloprado para conferir o que veio no meu pedido, esperando um atendimento sem graça e safado, do tipo que sai de lado. Contei o ocorrido, o atendente me disse que o pedido estava correto e não houve erro de comunicação, ao menos entre nós. Bom, talvez na cozinha, talvez pelos sabores ficarem próximos na carta, o fato é que aconteceu e eu não estava satisfeito. Como fazia tempo que não pedia pizzas com a empresa, resolvi testar o “jogo de cintura” dos caras.
Questionei o que fariam e levantei da cadeira, fui colocar no Jon Stewart que àquela hora já começava na Sony. Não esperava um atendimento rápido e muito menos útil, quando sou surpreendido com “vamos enviar uma do sabor correto em tamanho menor, agora, tudo bem senhor?” Perguntei se teria que pagar algo a mais, a taxa de entrega, apresentar a pizza que tinham entregue aqui, esse tipo de coisa para que se certificassem que não era má fé, não, nem isso quiseram. Não pediram foto, nada. Simplesmente confiaram e mandaram isso aqui:
foto tirada no dia seguinte, no momento da entrega, a suculescência da coisa era absurda
Não vou dizer que o que fizeram era absurdo, mas me surpreendeu porque a maioria simplesmente diria “desculpe senhor, mas não podemos fazer nada, lamentamos, boa noite/block”. Não tenho meu próprio negócio, hoje, mas faria no mínimo isso. Ao invés de se mancharam e eu nunca mais comprar por lá, a Bella Pizza ganhou meu respeito, minha confiança como cliente e certamente uma boa propaganda boca-a-boca. Como crítica, só tenho a de que alguns queijos tornam suas pizzas muito salgadas – e não é sempre. Fora isso, não só o produto como o atendimento me conquistaram.
E considerando o nível de atendimento que vemos no Brasil corriqueiro, foi realmente uma boa surpresa. Neste final de semana vou pedir mais uma!
Quando o atendimento e os bons serviços parecem um favor
Todo bom profissional sabe onde aperta seu calo, quando o estigma da profissão vem à tona numa situação cotidiana. O publicitário que se coça quando vê uma peça pavorosa, o contador honesto que vê a corrupção na cara e trabalha de mãos atadas ou fica quase sem clientes, o jornalista que sente ‘dor’ ao ver erros ortográficos num grande jornal, o músico que ouve a Malu Magalhães, o web designer que vê o meu blog…
Como acadêmico de Administração comigo não é diferente. O “chato” pro administrador é que como ele estuda e se envolve num mercado em que por mais específica que possa ser a sua atuação, ele sempre terá a visão mais generalista da coisa, o todo, enxergará desde a atuação da equipe de vendas à gerencial e numa olhada preliminar conseguirá perceber causas prováveis de diversos negócios estarem indo abaixo atualmente (sem mencionar os efeitos colaterais da crise). Vai também, eventualmente, sofrer com todo esse mar de empresas mal organizadas, mal gerenciadas e que simplesmente falham ao trabalhar para atender as necessidades de seu público-alvo.
E hoje eu não venho falar da “Padaria do Seu Manoel” ali da esquina, nem dos milhares de “Boteco do Seu João” espalhados país afora. São empresas que na pior hipótese, faturam 10 a 20 milhões, são casos que aconteceram comigo e que poderiam ter sido evitados. Por tratar-se de empresas com gestão de serviços e outros aspectos tão deficientes, provavelmente acontecem todos os dias com mais e mais clientes. Pecando em pequenas coisas e formando “ex-clientes satisfeitos” a cada dia. São grandes sim. Se mantiverem o padrão, serão até quando?
Brades…confuso
E o pífio limite nos saques
O Bradesco é um banco pelo qual nunca tive o mínimo apreço. Sempre o via com atendentes despreparados, equipe gerencial turrona, caixas eletrônicos terríveis, internet banking vergonhoso. No meu conceito, isto não mudou até hoje, em nada.
Os ATMs são as máquinas automáticas mais estúpidas dentre todos os bancos, lentas, pouco intuitivas, exigem tantas confirmações que o próprio titular da conta se estressa e ainda lhe fazem o favor de avisar o bairro quando você tenta sacar dinheiro, com aqueles beeps incansáveis e ensurdecedores.
Por que eu tenho uma conta lá? Mercado de trabalho, aquela velha história da empresa que só te paga por banco X. Pois é, tempos atrás precisei de uma conta deles, me utilizei da vantagem de ser universitário e abri a conta na modalidade mais barata, pois não tinha intenção de utilizar nenhum produto além de receber e sacar/transferir, para então posteriormente aplicar o dinheiro no banco em que realmente confio. Pois bem, passei dois anos trabalhando em outras empresas que não me pagavam através do pior banco do mundo Bradesco e então voltei a receber por lá.
E então voltei a me estressar. Assim que o primeiro depósito de salário apareceu na conta, de lambuja o banco cobrou três mensalidades da manutenção de conta, simultaneamente. Como se não bastasse, me deparo com um limite de saque – durante o dia – de míseros R$600,00. Sim, seiscentos reais. “Só pode ser brincadeira”, me peguei pensando. De muito mal gosto.
Só então após recordar que a conta estava numa modalidade que eles costumam chamar de “Conta Fácil Bradesco”, onde “os depósitos são automaticamente transferidos para uma conta poupança”, ou seja, virtualmente os fundos ficam em conta-corrente e conta-poupança ao mesmo tempo, é que pude em dois saques, tirar um pouco mais naquele dia. Mais? Só no dia seguinte…
Lojas Pernambucanas – Unidade Rua Deodoro, Florianópolis – SC
Organização? O que é isso? Atendimento? Ah sim, fazemos o favor…
Taí uma loja a qual nunca tinha freqüentado, só entendia o conceito. Imaginava algo parecido com as Lojas Americanas (antes fosse), quando de fato precisei adentrar no referido estabelecimento. Fui efetuar um pagamento para minha mãe, que não trabalha aqui pelo centro e como passo pela loja no caminho para casa, não custaria nada fazer o favor.
Entro na loja e me sinto numa feira livre, algo entre a 25 de março e o Pelourinho. Juro: tinha uma calcinha pendurada sobre uma tv de plasma. Não sei se por descuido – o que não justifica – ou propositalmente, mas as cenas só pioravam. Uma loja que vende de tudo, como as Americanas que mencionei, ao menos segmenta o espaço físico adequadamente, setorizando-os com uma ordem lógica, montando um layout agradável aos consumidores, certo? Não, ali não.
Fui do primeiro ao terceiro andar me deparando com as mesmas coisas: bicicletas, roupa íntima, moda praia, eletrônicos de ponta, videogames, jeans, artigos de plástico, etc. Fiquei até um tanto quanto zonzo de ver aquilo tudo. Me pergunto como alguém se acha lá dentro, eu sinceramente me perdi no meio de tanta bagunça. É como se dessem o layout da loja na mão de uma dúzia de crianças entre 8 e 12 anos.
Mas eu fui lá pagar uma conta para minha mãe… Pois é, como foi algo súbito (recebi uma ligação no meio da manhã com a solicitação), eu não tinha o cartão da loja, nem demais dados do cliente (meu padrasto). Por precaução até pedi o CPF dele e deixei salvo no celular. Depois de me atenderem com aquele jeito de quem está fazendo um favor enorme, disseram que “era só ir ao caixa e dar o número do celular ou CPF do cliente”, “beleza, tudo certo”, pensei. Certo? Não, de novo. Enfrentei a fila, chego no caixa e a próxima atendente, mais grossa que pneu de Caterpillar que se usa em mineração, me manda à fila ao lado para conseguir os dados corretos. Não fui, liguei de volta e minha mãe passou o que de fato precisaria. Voltei pra ser atendido, infelizmente pela mesma cidadã com a mesma cara de quem não transa há anos, consegui pagar a conta e no final ainda ouvi “aceita uma balinha de troco?” Será que eu aceitei?
Empresa Santo Anjo da Guarda
E a divisão dos clientes em castas
Segmentação é importante, como no caso das Pernambucanas, onde os departamentos unidos ao extremo tornam a operação confusa. Mas segmentação de clientes em castas é outra história. Então eu lhes apresento a Santo Anjo, empresa de transportes rodoviários que atende basicamente todo o Brasil, com ênfase no sul.
Como sou um manézinho da ilha tipo importação, não nasci aqui, pelo contrário, vivo aqui desde os 17, quase 18 anos. Minha cidade natal é muito próxima, 130km e viajo até lá em torno de uma vez por mês, sempre de ônibus e sempre com a Santo Anjo. Um dos motivos é que tenho o benefício de ter 50% de desconto por ser estudante, coisa até pouco tempo atrás exclusiva por estas bandas – hoje não mais. Pois bem, decidi que ia viajar na manhã do dia 4, um sábado. Fui ao terminal por volta da quarta-feira daquela semana e fiz a reserva, já deixei anotado no passe e no sistema deles que viajaria, poltrona escolhida a dedo, tudo ok. Na sexta consegui postergar a viagem para o feriadão de páscoa, ótimo, bastava ir lá trocar a data, já que estaria os comunicando com cerca de 24 horas de antecedência (a lei estabelece o mínimo de três horas).
Okay? Não, pra eles não é tão simples assim. Efetuei a troca da passagem comum que comprei para minha esposa tranqüilamente, mas ao realocar meu passe-estudante a operação foi dada como impossível. Ao ponto de ter de ouvir do atendente, “uma vez marcado, o passe não pode ser desmarcado do sistema… Desculpa, mas se eu liberar pra ti, sai é do meu bolso”. Sai? Por que? Como assim?
Por que o sistema foi mal projetado? Por que a administração geral da empresa enxerga levar estudante como um favor? Estudante este que paga no mínimo oito passagens com antecedência (compra mínima de passes); que precisa do transporte com desconto porque, teoricamente, ganha menos que os profissionais mais experientes; e que tem o direito do desconto garantido em lei. Estudante que também conhece muita gente e adora acabar com a imagem de empresas com atitudes estúpidas como estas.
Ainda não tive tempo de recorrer à administração geral da Santo Anjo e ver qual o parecer oficial à respeito do caso. Por aquela ocasião, acabei gastando mais um passe e guardei o inutilizado na gaveta. Na volta, fiz questão de vir com a Empresa União, que por sinal dispõe de horários infinitamente melhores e agora já disponibiliza o passe-estudante.
Parabéns Santo Anjo! Me perderam, perderam a minha mulher, perderam todos os meus familiares, amigos e conhecidos como clientes – alguns PJ. Vou viajar, no máximo até esgotar os passes que ainda guardo em casa, mas com desgosto.
Mc Donald’s – Mc Sorvetes no Shopping Itaguaçu, São José – SC
Quando o preço sobe e a qualidade cai
Essa alia produto e serviço mal desenvolvido. Particularmente eu não gosto do Mc, tenho aversão à maioria de seus produtos. Sorvetes são uma exceção. Mc Flurry é uma exceção dupla. Quando descobri que lançaram a versão com Crunch eu mandei a exceção passear, aproveitar e passar na padaria na volta.
Entendam, na minha infância o Crunch era algo quase intocável, que eu só via em algumas caixas Especialidades. Não havia a barra que há hoje, esse acesso facilitado e, basicamente, eu comprava algumas caixas na esperança de encontrar uns dois bombonzinhos de Crunch ali no meio. Então quando vi o lançamento do Mc, pronto, “preciso experimentar”!
Pra que? O preço subiu, foi de cinco para seis reais. Já começa a me incomodar. Mexa até com a minha família – entenda-se com eles -, mas não mexa na minha carteira sem justificativa…
“Mas deve valer a pena”, claro. Aí o espetacular atendente montou o Flurry numa estrutura mais ou menos assim: pelota de sorvete de baunilha; um micro naco de cobertura; Crunch jogado como se fosse qualquer coisa; outra pelota de sorvete. Sem misturar.
Não preciso dizer que o maldito atendente só fez desperdiçar meu dinheiro e um bocado de chocolate maravilhoso. Ódio mortal!
Vivo – Loja Shopping Itaguaçu, São José – SC
O cliente é burro, a Vivo esperta
É incrível o que as prestadoras de telefonia conseguem arquitetar. Sério, só podem estar de sacanagem proposital com os clientes, a Vivo, como o resto, não se safa.
Levei o celular da minha esposa, adquirido e posteriormente desbloqueado com a Claro (com muito custo, mas esta história fica pra depois) pra ver se conseguiriam me auxiliar na configuração dos serviços de dados junto à Vivo, já que ela não conseguia (e não consegue) mandar um simples MMS, por exemplo. O atendente pegou o telefone, olhou aqui e ali – nada que eu não tivesse feito – e disse “tudo bem senhora, tudo ok, pode testar que já deve funcionar”, foi o que eu fiz. Na frente dele e, fail, na verdade epic fail porque claro, ele jurou que a rede da Vivo não tinha problemas e a Claro é que deve ter me repassado um telefone com problemas. Excelente.
Depois questionei porque os minutos que ligo de Vivo para Vivo estavam sendo tarifados da minutagem contratada no meu plano, já que em tese eu tenho um adicional de 1.800 “minutos inteligentes, onde os 200 primeiros minutos podem ser usados de Vivo para Vivo ou Vivo para qualquer telefone fixo, e os demais de Vivo para Vivo, sempre descontando primeiro do seu bônus, não do plano contratado”. Esse foi o discurso que me passaram quando contratei o serviço e voltei a Vivo, depois de um ano de más experiências na Claro, e outros quatro de uma experiência mediana na famigerada Vivo.
O que o sujeito fez? Usando de eufemismos e floreios, na prática disse que eu sou burro, não escuto direito, fico inventando coisas e a atendente que me vendeu o contrato (maravilhosa, “destaque do mês” por sinal, logo ela?) não erra nunca.
E o que eu devo fazer, segundo o sujeito, é me entender com a central de atendimento – que me causa gastrite só em lembrar que preciso ligar pra lá – que tudo pode e tudo sabe. Engraçado é que sempre que ligo pra lá, dizem que a loja tudo pode e tudo sabe, que eles são um mero canal de atendimento expresso. Sempre rio quando eles ainda têm a audácia de se considerarem “atendimento expresso”. Ou rio, ou choro.
Cacau Show – Loja Shopping Itaguaçu, São José – SC
Cobrança excepcional, atendimento de coração
Sabe quando você pode descomplicar e tornar a vida de todos mais simples e fácil? A Cacau Show prefere o oposto. Passei em algumas lojas da Cacau semanas antes da páscoa, fato é que seus produtos agradam muito o meu paladar, o atendimento em algumas lojas – não apenas na mencionada – desagrada muito tudo o que eu acredito.
Pois bem, depois de sofrer pra procurar umas trufas e barrinhas de chocolate que inexistiam na semana da páscoa, acabei percebendo que a loja colocara só ovos à venda. E precisava expor seu estoque. Não podiam colocar as trufas e outros em disposição normal, e apenas alguns ovos nas prateleiras, sendo os demais deixados em estoque, assim os vendedores poderiam buscar para os clientes e a loja não ficaria com aquele jeito de produtos em falta. Acho que não podiam mesmo.
Tudo melhora quando você tenta pagar num dia com movimento daqueles. Dei meu cartão de crédito (múltiplo) pro atendente – obviamente o dono, o que é ainda pior – e ele de praxe perguntou se queria passar em crédito ou débito. Respondi em alto em bom tom (e com o dedo sobre a bandeira Visa), “crédito”. Ok, peguei produto, nota, saí da loja, dei dois passos e olhei pro canhoto: “Visa Electron”. Não, não mesmo. Eu pedi crédito, tá de sacanagem ou testando a minha inteligência?
Voltei na loja e reclamei com o dono e a esposa. Fizeram a maior cara de ânus que eu já vi e disseram “ah senhor sinto muito, não dá pra estornar porque no débito já cai na conta-corrente automaticamente, se fosse crédito…”. Eu, que já entrei na loja pensando na solução, ficava cada vez mais puto com a incompetência. Não fizeram nada. Olhei sério pra eles e dei um sinal de adeus, que não voltaria mais lá. Dei outros dois passos para fora da loja e vejo uma atendente, a coitadinha desesperada me procurando, “moço, volta lá que eles vão resolver pra você”, ok, entro na loja e eles descobrem a pólvora: “Ah, você me dá seu cartão, a gente passa no crédito direitinho e eu te estorno o débito que fiz na sua conta em dinheiro”. Mesmo?
Cara, a inteligência deles é abismal. Só pensaram no mesmo que eu uns 3 anos depois. E eles é que são donos do negócio.
Pra completar? Se eu vou comprar meia dúzia de trufinhas num dia qualquer, me entregam num saco todo pomposo, pra presente, lindo. Naquele dia eu comprei ovos e outras coisas, enfiaram numa sacola qualquer e jogaram ali… mereço.
Não preciso falar que durante todo o processo de acerto financeiro, me trataram como se eu os estivesse roubando. Excelente, fazem a besteira e eu sou o vilão da história. Aham, contem com isso.
Por hora o post já passou do tamanho que devia, até proporia soluções aqui, mas acho que qualquer profissional – de qualquer área – dotado de bom senso sabe como resolver a maioria desses inconvenientes. Impressionante é ver os próprios prestadores de serviços não saberem onde o calo aperta e o dinheiro deixa de entrar.
Postagem original: Segunda Opinião/Wordpress


