Posts Tagged ‘Compras’

postheadericon Assinaturas e torturas: obrigado Editora Abril

Quatro meses sem publicações no Pensamento Lateral. Minha nossa é muito preciosismo! Ou ócio. Ou falta de motivação. Na verdade, não havia encontrado pauta relevante o suficiente (yep, preciosismo). Hoje eu volto com meus problemas pessoais que sempre dão dor de cabeça até nos leitores.

 

Aos 23 anos, posso confessar que sou um amante da leitura, mais, um viciado nas publicações periódicas, em especial as revistas. E como maior editora do país, não é difícil supor que já comprei e assinei diversas publicações da Editora Abril, que em conteúdo, usualmente não deixa a desejar. Contando publicações assinadas, bonificadas, compradas e até mesmo entregues por engano, já recebi Exame (que me auxiliou por vários semestres na faculdade, por sinal), Info Exame, Super, Vip, Playboy, Viagem e Turismo, Men’s Health, Veja (eu sei!), Caras (foi bônus, calmalá) e, até segunda-feira, quando recebi seu exemplar mais recente, Exame PME.

Foram, facilmente cerca de 10 anos como cliente, seja pagando, como ocorre atualmente e desde os últimos cinco anos, seja influenciando decisões de compra da minha família, o que ocorreu quando morava com meus pais. Influenciei, aliás, inúmeros colegas da faculdade de Administração a fazerem uma assinatura de Exame ou Exame PME, não posso reclamar do conteúdo, de fato, não posso.

Ocorre que, como todo ser humano que tem mais o que fazer, a vida não é só entretenimento e diversão. E geralmente meses se passam até que você perceba que aquelas revistas estão empilhando, algumas ainda no plástico em que foram entregues. E quando ocorre, geralmente cancelo a assinatura ou troco por uma de periodicidade maior, para que não acumulem e de fato eu possa aproveitar o que pago. Revistas não são como contratos de telefonia ou tv por assinatura, você cancela e pronto. Não há clausulas de fidelidade. Não há reclamações. Se a editora colaborar, você simplesmente paga o que deve, ou recebe o que tem direito, de acordo com seu método de pagamento. Pode ainda optar por receber mais algumas edições se assim lhe convier e é o que a editora prefere, pois não vai gastar lhe reembolsando.

Imagem ilustrativa de algumas revistas para colorir este texto.

Imagem ilustrativa de algumas revistas para colorir este texto.

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postheadericon Inclusão digital e as compras on-line

Quando o Governo começou com os vários projetos de inclusão digital, já imaginávamos seus prós e contras. O contra foi a destruição do Orkut. Wait, eu gosto disso… e o favorável seria o maior acesso à informação (insira 300 abobrinhas governistas aqui…) e um provável aquecimento do mercado de compras na internet. Mais pessoas com acesso, mais potenciais consumidores, certo? Não exatamente.

O Jornal Hoje de ontem mostrou uma pesquisa que apresenta resultados no mínimo curiosos. A matéria você pode ver no vídeo abaixo, ou em texto clicando aqui.

A pesquisa, que buscava conhecer os hábitos deste “neo consumidor”, foi realizada com 5.500 pessoas em 11 países (amostragem discutível, diga-se de passagem), aqui no Brasil nas cidades de São Paulo, Recife e Porto Alegre. Acabaram constatando algo quase óbvio aqui na selva, o brasileiro ainda é o que menos compra on-line.

Compras On-line 92% simplesmente não compram pela internet, entretanto, 73% confiam na mesma suficientemente para utilizá-la como fonte de pesquisa de preços antes de ir ás lojas físicas. Tudo bem, cada um com seus hábitos, o que realmente incomoda são os motivos pelos quais esse povo não compra. Uma turma que em geral é crédula o bastante para repassar e-mails pra salvar uma menina ucraniana que sofreu queimaduras de 2º e 3º graus em 87% do corpo, já que a AOL doará US$0,05 para cada e-mail encaminhado, mas não confia no próprio computador, ou pior, prefere confiar num vendedor que nunca viu na vida e que geralmente sabe menos sobre o produto do que ela mesma. O sujeito apenas faz sinais positivos com a cabeça, aprovando e falando tudo o que o coitado quer ouvir.

Mas por que eles não compram? Vamos aos dados:
55% não gostam de passar dados bancários ou seu número de cartão pela internet. Claro, afinal o vendedor da Casas Bahia é honestíssimo e é muito mais fácil você ser roubado pelo seu computador em que você supostamente deveria saber o que há instalado, navegar seguramente e manter o sistema atualizado (come on, atualizar o sistema é a dica número um que vendedores trambiqueiros de informática dão para o usuário comum/tosco de computadores, além de comprar o anti-vírus gratuito que eles vendem, claro). Se fosse pra ter receio, eu teria muito mais do vendedor que some com meu cartão por 10 minutos, podendo copiar todos os dados ou mesmo cloná-lo, do que do sistema de sites como Submarino ou PayPal (indiscutivelmente mais seguro do que quase tudo, diga-se de passagem).

55% querem ver o produto e tocá-lo antes de comprar. Certo, a tangibilidade da coisa é válida, sobretudo para alguns itens que realmente dependem da sua avaliação, como uma tevê em que você precisa ver como são na prática a qualidade da imagem, contraste, ângulo de visão e outros aspectos. Ou um celular, para “brincar” um pouco com o sistema e sentir se atende a seus critérios, e principalmente itens de vestuário – estes eu confesso que nem eu compro muitos on-line, apenas raras peças que eu sei que servirão bem.
O problema é, você olha o preço on-line, vai conferir o produto pessoalmente e acaba comprando direto na loja física? Ca-ra-lho, a pessoa que faz isso é muito idiota. Eu faço minha pesquisa de preços de produtos pela web sim. Se for o caso visito lojas físicas, enrolo os vendedores para conhecer o produto “e qualquer coisa eu volto”. Acabo batendo o martelo na internet, que via de regra, tem os preços mais baixos. É difícil entender essa lógica? Aliás, relendo aqui, acabo por ver que também posso fazer isso com determinadas roupas e calçados. Se isso é ético e mimimi? Não ligo. O vendedor quer ganhar o dele, eu quero economizar o meu.

50% preferem falar com o vendedor. Sério, pra que? Você entra em qualquer boa loja on-line e encontra todas as especificações do produto por lá. Você entra na Casas Bahia (loja física) e pergunta, “essa tevê tem controle remoto?”, e o sujeito vai falar com o gerente e some por 10 minutos pra descobrir o óbvio. Do que você precisa, um abraço do vendedor? Ou só gosta de pagar mais caro e ajudar a sustentar a família de um estranho? Porque se for por isso, “oi, eu sou o Raphael, você mal me conhece e seu dinheiro é bem vindo, aqui estão os dados para depósito…”

48% se preocupam com as informações pessoais transmitidas pela internet. Aqui a gente revisita o primeiro tópico, como assim? Dar seu endereço, RG, CPF, renda, nome da bisavó e do cachorro pra um estranho que você acaba de conhecer é mais seguro do que incluir estes dados num sistema que dificilmente terá contato humano, fora endereço para a transportadora?

E fechando com estilo, a pesquisa ainda apontou que 42% dos brasileiros gostariam de receber mais spam informações sobre produtos no celular. Pelo amor…se a minha operadora começar a apelar eu jogo o chip na privada.

O lado bom, segundo o diretor da empresa responsável pela pesquisa, que aparece ao fim da matéria em vídeo, e com ele eu concordo, é de fato o consumidor buscar na internet a referência com outros consumidores (avaliação em sites, ReclameAqui, fóruns e etc.), checar se a propaganda dos produtos condiz com a realidade e até, em alguns casos checar preços em outras praças e mercados, o que ajuda na hora de barganhar com aquele vendedor que você adora conversar.

Mas de uma forma geral nota-se que o brasileiro ainda não compra, não sente segurança ou não entende como funciona. O básico medo de tentar, há pessoas que preferem chamar um técnico de informática (e pagar caro por isso) para instalar um programa ou fazer simples alterações no sistema porque morrem de medo de fuçar, gente que teme que o computador exploda ou saia correndo atrás, sei lá. Acho até que a entrada da Casas Bahia no mercado on-line é um bem geral à nação, já que eles se dão ao trabalho de explicar melhor e jogar publicidade na televisão, por exemplo, clamando seus consumidores a comprar on-line novos produtos usando o computador que buscaram lá.

À turma que vive do comércio on-line, resta torcer que a propaganda do Windows 7 surta algum efeito com aquele papo de “maior segurança”, nem que efeito placebo, mas que funcione. Apenas 8% da população com acesso à internet comprar na mesma é abaixo de patético, é lamentável.

Aliás, acho que esporadicamente vou lançar alguns posts no estilo shopping for dummies, se um leitor paraquedista cair aqui e isso ajudá-lo a entender melhor como certas coisas funcionam, então este blog já fez algo de útil. Mas não se preocupem, não será nem de longe meu foco por aqui.

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