Posts Tagged ‘Cultura Pop’

postheadericon U2: E então virá o terceiro show

Não, não estou falando da música de Bono e seus amigos biscoitos marotos (trocadalho cretino) da banda. Falo do show de horrores que tem se tornado essa (des)organização na venda de ingressos. Eu poderia fazer uma análise, criticar, dar xilique ou simplesmente fazer vocês rirem muito (sério, cliquem neste link).

Mas vou apenas falar o que acontece e o que vai acontecer, me divirto mais e não perco tempo chovendo no molhado. Read the rest of this entry »

postheadericon O último legado de Michael Jackson à indústria da informação

25 de junho, quase dois meses atrás o mundo perdia mais um ídolo, e não era qualquer ídolo, mas certamente alguém inigualável por gerações e gerações que ainda virão. A morte do Rei do Pop não marcou apenas seus fãs ou admiradores, pois seus desdobramentos, rumores e discussões a respeito fizeram parte do dia-a-dia de milhões de pessoas por semanas a fio. Ora o interesse era a respeito de seu funeral, a dúvida sobre como e onde ocorrera seu sepultamento, a divisão de filhos e bens do astro e ora passou a tratar-se das condições que o levaram a óbito. A hipótese de homicídio ainda não parece descartada.

E voltando à tarde daquele fatídico dia, dois fatos saltam, mesmo aos olhos mais incautos: o papel da internet e o meio como os fatos foram cobertos pela mídia.

A internet fez toda a diferença, minutos após os primeiros rumores vinculados na imprensa, seja via TMZ, Associated Press, Reuters, LA Times e outros, sites como Twitter e Facebook já disparavam mensagens de dúvida, lamentações e incredulidade aos milhões. O mundo queria e precisava saber. Nunca se viu tamanha cobertura de evento algum. Mesmo as eleições nos EUA, que consagraram Barack Obama o primeiro presidente negro daquele país, não resultaram num fluxo tão absurdo e avassalador de dados e informações. A velha brincadeira de “derrubar a internet”, que sempre parecia piada conspiratória, já parecia algo factível por alguns instantes. Imediatamente após ás 18h aqui no Brasil, meu provedor de acesso começou a sofrer, bem como sites de busca, relacionamento e agências de notícias apresentavam sinais de colapso em sua infraestrutura. O mundo parou para googlar, twittar e blogar a respeito.

O segundo fato que chamou atenção tem relação direta com o primeiro. Todo mundo queria manter-se informado, e todos os que informam, logicamente queriam informar primeiro. A onda de informações que surgia, vinda de todos os lados e fontes era imensa. E em quem devíamos confiar? Os mais renomados sites – até então – tropeçavam em si próprios num movimento vergonhoso em análise posterior. Em minutos, todos os sites que não tinham suas redações sofrendo algum incêndio ou inundação, estavam trabalhando nisso. Ouso dizer que até o Valor deve ter publicado a respeito.
Horas e dias após a morte de Michael Jackson, já era possível ver inúmeros blogs com a abordagem dos sites e a comoção mundial sobre o ocorrido. E uma abordagem diferenciada é justamente a respeito da inconsistência das informações divulgadas pela imprensa, motivada pela pressa e voracidade em ser o primeiro a informar, confirmar ou desmentir, inúmeros jornais, sites e agências de notícias publicavam tudo o que encontravam como verossímil. Na verdade o tamanho da fome era tão grande, que aposto que se qualquer pessoa publicasse um hoax num blog zerado, corria o “risco” de ter sua brincadeira na primeira página de algum jornal ou site.

E naquelas horas ou minutos de mais desencontros que razão, acabei por salvar o índice dos principais sites e agências do Brasil e do mundo. Num primeiro momento, como bom fã de Jackson, minha intenção era ter uma bela pérola guardada em caso de falso-positivo a respeito de sua morte. Infelizmente esse desmentido não veio, o que não quer dizer que deixei de capturar verdadeiras obras do despreparo.

O site TMZ, como amplamente divulgado, foi o primeiro a noticiar e disso, praticamente não há dúvidas. Num primeiro momento poderia-se até especular que também estariam sendo irresponsáveis, mas a editoria do próprio prontificou-se a confirmar suas fontes. Esta era a página do site nos primeiros minutos post mortem:


A Associated Press não ficou atrás, e reconhecida como uma das maiores agências de notícias em todo o mundo, publicou seu release:


Posto isso, o que se viu adiante foi um show de horrores no quesito qualidade da informação.
Algumas fontes ainda se prestaram a mencionar o fato com certa cautela, seja mencionando a morte entre aspas ou mesmo citando suas fontes, como o TMZ e a AP. Neste âmbito, encontramos os britânicos BBC e The Times, os estadunidenses The New York Times e Washington Post e o brasileiro G1, pertencente ao grupo Globo.






E na categoria maria vai com as outras, pode-se dizer que muitos jornais puseram seus nomes e reputações em xeque, confirmando veementemente e já iniciando a “cobertura completa” e suas respectivas “homenagens” ao falecido. Na Europa, poucos dos grandes escaparam e aqui posso mencionar o italiano Corriere della Sera, o francês Le Figaro e até o jornal de embrulhar peixe tablóide britânico The Sun. O americano Los Angeles Times não ficou de fora, bem como os brasileiros Folha de S.Paulo e o portal UOL.







Mas quem se salvara dentre tantos? Ora, vejam só, a imprensa argentina. Sim, o Clarín teve a decência de informar o que era certo, apenas. Um dos poucos que não encomendou o peru na véspera.


Diante de tudo isso, deixo duas menções honrosas. O retrato do desespero do site do jornal O Globo – um dentre dezenas que trocaram de versão várias vezes.

E a outra menção fica com o blogueiro Perez Hilton, um dos poucos com discernimento e razão na hora do pânico da imprensa. Vale o shot de suas twittadas naquele momento:


Do ocorrido pode-se concluir um pouco do óbvio e algo não tão óbvio assim. A imprensa cumpre seu papel de informar o público e para isso, não mede esforços ao correr atrás da melhor e mais precisa informação para seu público-alvo. Ou pelo menos é o que deveria ocorrer. Neste caso, temos alguns exemplos de confiabilidade, alguns dúbios e outros que chegam a assustar. O pior não chegou a ser registrado, e foi justamente o caos nas redações mundo afora. Fica a marcante sensação de que estamos a deriva, nas mãos de informações atrapalhadas, se um site tido como “de celebridades” é quem traz a informação mais precisa e correta quando se comparado a inúmeros jornais renomados e com décadas (ou séculos) de história. TMZ e AP sim, tinham suas fontes confiáveis, e o resto? Boa parte não fez melhor do que eu ou você poderíamos ter feito sem muito esforço: buscou nos sites alheios, compilou e publicou aquilo que lhe parecia mais válido.

Imprensa é informação ou control-c e control-v? Hoje mais do que nunca, temo concordar com a segunda alternativa. Pior, mais e mais fontes que se dizem “informadoras e formadoras de opinião” não param de surgir em função de lucros crescentes no mercado virtual e decrescentes na versão impressa, em decadência e cada vez mais próxima de um certo fim anunciado.
Resta ao leitor se especializar ao menos no assunto que prefere (esportes, política, celebridades…) e filtrar com cautela suas fontes. O caso exposto não quer dizer que aqueles que publicaram certos fatos sem a devida confirmação, necessariamente não são boas fontes, mas demonstra a enorme vulnerabilidade dos sistemas de informação e imprensa por todo o mundo.

No mais, além da saudade e grandes sucessos que ficarão para sempre na história, Jackson nos deixou um último legado valioso ao mostrar a verdadeira imprensa que nos cerca – e suas falhas.

Related Posts with Thumbnails
+ Pensamento Lateral
Assine o RSS
Tag Cloud
Etc





Creative Commons License