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Os agressores do nordeste e seus megafones humanos
Preconceito é mais do que uma coisa feia, errada ou ilegal. É algo estúpido. Preconceito racial é pior ainda, por isso sempre que vemos alguém cometendo um crime por aí, o impulso é de fato se revoltar e, se for possível, denunciar a quem for cabível – sejam autoridades formais (como a política, o Ministério Público) ou um pouco menos formais (pais, professores, esposas e maridos, dependendo do caso).
E a internet, mais do que qualquer outra coisa, não criou novos idiotas, mais gente burra e mais racistas, apenas amplificou sua voz. Essa gente retardada que simplesmente não tinha espaço, agora tem. Mas pior, muito pior é quando essa turma ganha amplificação.
Gente anônima antes da internet, como Felipe Neto, PC Siqueira e até Rafinha Bastos (sim, a internet fez sua fama, muito antes do CQC) hoje podem virar armas de destruição DE massas. Com respectivamente 1,35 milhão, 972 mil e quase 3.400.000 seguidores no twitter, acredite, eles formam e influenciam opinião com uma força e uma velocidade assustadora. Então se estas pessoas tivessem intenções, sim, eles poderiam até mesmo influenciar mentes mais fraquinhas (temos muitas por aqui) a cometer crimes. Poderiam incitar violência a muitos grupos: torcedores de certos times de futebol, moradores de certos bairros ou regiões do país, gente de determinadas classes sociais, opção sexual, o próprio sexo, por aí vai. Mas eles não fazem, felizmente.
Claro, esse pessoal mais famoso tem muito mais noção do lucro e do prejuízo que suas vozes podem lhes trazer. Então quem sobra? Aqueles que mal são ouvidos. Gente com seus 50 seguidores no twitter, 70 amiguinhos no facebook, nisso tudo uns 40 bots pra cada lado, ou seja, gente quase muda na internet. Mas a amplificação pode ser um problema, eu mesmo na minha pequena casa de 900 e poucos seguidores, sei que já posso causar estrago dependendo do que falar, principalmente pelo alcance – vai que o PC me retuita? Faça as contas.
O caso de hoje
Esta tarde, um garoto (que não vou me dar ao trabalho de recuperar quem, não sou romano, crucificação não é meu foco) revoltado a possível anulação do ENEM, motivada por problemas numa escola do Ceará, declarou que gostaria de jogar uma bomba no Nordeste. Não vou entrar no mérito de que a bomba atômica necessária para isso também incendiaria a casa dele e o sufocaria em poeira radioativa, caso isso fosse possível e ele residisse em São Paulo, por exemplo. Seria só mais alguém imbecil, fazendo algo imbecil como todos nós fazemos diariamente, agora multiplicado por sete bilhões.
As pessoas falam coisas como estas, muito piores do que estas e até do que aquelas que o Rafinha falou, todos os dias. Algumas na internet, outras apenas fora dela. Algumas só pensam e não falam, mantendo um preconceito velado. Qual a pior delas? Nenhuma, tudo farinha do mesmo saco, com a diferença de que quem exterioriza pode influenciar. O problema é quando alguém quase anônimo ganha voz, tendo gente mais conhecida como plataforma de divulgação.
No caso do garoto, parece que o Kid (o Izzy, não o mesmo “garoto”), aquele paladino dos nordestinos injustiçados (que algumas vezes xinga uns cariocas e uns gaúchos, mas tudo bem) além de retuitar e ameaçar o guri de algum processo, comunicou o pai do sujeito via facebook e estava procurando a escola onde o moleque estuda para fazer o mesmo. Nobre, seria muito nobre se ele tivesse apenas feito estes dois últimos, onde ele ganharia, eu imagino, uma baita mijada em casa e um reforço pedagógico na escola. Talvez isto até incentivasse uma “semana contra o preconceito” ou algo assim por lá. Seria muito bacana. Antes de mais nada porque a escola é fundamental na formação do cidadão e ela deve ensinar sobre os males (e a idiotice) dos preconceitos, todos eles.
O problema chega quando tal influenciador internético, orgulhosamente dotado de “mais de 23 mil seguidores” (é assim que ele vende seus tweets patrocinados) resolve que “vamos criar outra Mayara Petruso” com a suposta intenção de conscientizar toda a internet sobre os crimes de ódio. Qual o problema com isso? O nulo efeito prático. Na melhor (muito melhor!) hipótese, alguém racista vai deixar de comentar em cantos abertos da internet. Vai usar seu twitter ou fórum fechado, vai comentar com os amigos no bar. Então vamos nos iludir que não há mais preconceito com nordestinos, como já nos iludimos atualmente quanto aos negros. Ok, pra muita gente a ilusão é tudo o que basta, principalmente os amantes do politicamente correto. “Se eu não vejo, não é um problema.”
O que acontece seguindo com esta postura
Vão destruir a vida do garoto e muito provavelmente complicar o pai dele, caso seja menor de idade. Só. Eles (a família) serão processados, você vai ler uma notinha na Folha e achar que o mundo está melhor agora. Semana que vem alguém xinga de novo e se alguém desejar, segue nova denúncia, a Justiça segue ainda mais empilhada de processos e façamos o ciclo novamente, ad infinitum.
Então devemos deixar eles impunes?
Não. Mas podemos pensar em educar primeiro, ainda mais tratando-se de um adolescente. Crimes de ódio e racismo prevem penas com reclusão em caso de processo criminal instaurado, o que me leva a questionar a necessidade da medida. Claro, é uma mudança que passa primeiro pelo sistema penal. Acho racismo ruim? Evidente. Acho a punição de três anos de cadeia para alguém condenado por racismo justa? Não para um réu primário No caso de uma segunda ocorrência do mesmo crime, sim, podem prender o sujeito por 30 anos que muito provavelmente ele não tem conserto. Mas na primeira ocorrência, não seria melhor para todos, inclusos aí os que sofrem com isso se estas pessoas fossem educadas e conscientizadas? Uma medida socioeducativa que fosse bem implementada e funcionasse, incluindo aí um curso de cidadania e até mesmo história (que mostrasse o passado de problemas pelos quais passaram determinados povos) e serviços comunitários envolvendo o público-alvo das agressões faria muito mais bem à sociedade como um todo do que apenas jogar o sujeito na cadeia, lotá-las ainda mais e tirá-lo de lá ainda mais revoltado com a situação.
Fora que, sejamos honestos, se adolescente fosse preso por cada coisa que diz, seria um processo por dia (para cada um), no mínimo. Eu acho que a justiça tem louça mais importante pra lavar.
O pior de ficar nestes processos individuais é que ele (teoricamente) cessa com as atividades de um preconceito aqui e ali, mas não reduz em quase nada a ocorrência do próprio preconceito. Um sujeito que deixa de contratar um nordestino numa vaga de emprego apenas por conta disso, mesmo que não toque uma palavra sobre a origem do cidadão, está sendo racista da pior forma possível – prejudicando aquela pessoa por sua condição natural e imutável. E de um modo covarde, porque ele nem saberá o motivo.
E a social media relevante da internet, o que deveria fazer, então?
Primeiro de tudo, não ajude a divulgar as ideias de um idiota. Viu um crime de racismo? Ótimo, denuncie direto. Não retuíte ou poste o link do blog onde leu aquilo. Isso não vai ajudar. Ajuda tanto quanto “achei essas fotos de crianças peladas aqui minha gente, vejam (link) das fotos que absurdo!” Você está disseminando ainda mais o crime. Na verdade, no caso da pedofilia, está cometendo mais um, mas enfim.
Se um racista com 100 seguidores for retuitado pelo Felipe Neto, sabe o que acontece? 1,35 milhão, mais 100 pessoas lerão a ideia racista. Pior, podem entender este retuíte como endosso. Então, de novo, se quer denunciar, denuncie. É seu direito, é um trabalho cidadão, mas não aja como um megafone humano.
Outra coisa muito legal seria uma campanha contra todo o tipo de preconceito, seja ele contra os nordestinos, os negros, os homossexuais e também gente que não se enquadra nas categorias comuns, como os gordos, os magros, os residentes em outros estados. Mais legal: uma campanha massiva, com toda social media internética brasileira engajada.
Calcule se os 50 blogueiros mais relevantes tirassem uma semana, ou mesmo um dia para falar do assunto. Em seus sites, em seus facebooks, em seus twits. E logo a velha mídia se interessaria, e poderíamos ver reflexos em jornais impressos, no Jornal da Record, no Jornal Nacional, no Fantástico – pode parecer pouco para você, mas é o ápice para o público que ainda não é tão antenado com a internet.
Sua campanha deveria agir em duas frentes: contra o próprio preconceito e conscientizando as pessoas que sim, o que você fala na internet tem valor legal e peso jurídico, e que você, ou seus filhos (e de novo, você) podem ser responsabilizados por tudo o que publicam, onde quer que seja.
Algumas considerações ainda mais pessoais sobre tudo isso:
Eu acho muito questionável essa postura do nordestino se fazendo de coitadinho com este tal preconceito. No fim das contas, todos somos brasileiros, um país tão digno de orgulho quanto o Cazaquistão. E honestamente me incomoda ver uma ofensa aos moradores de estado X do país ser tipificada como o mesmo crime que ofende negros. Negros que passaram mais de dois séculos sendo escravizados e continuam sofrendo ainda hoje. Já homossexuais, que sofrem invariavelmente mais do que pessoas da parte alta do nosso mapa, não tem o mesmo apoio jurídico, ou seja, homofobia não é crime. Em vias mais honestas, eu não vejo como pode doer mais a ofensa contra um nordestino do que contra alguém com um grande nariz, sub ou sobrepeso, grande altura, pequena estatura… enfim. Acredito que todos deveriam ter o mesmo peso jurídico.
E dirimindo uma confusão, hoje não é assim e isto é apenas minha consideração pessoal. Sozinho eu não tenho o poder de alterar as leis e fazer justiça, mas sou livre para expressar meu ponto de vista, desde que não ofenda ninguém.
Eu não estava “brigando com o Kid de novo”, estava contestando sobre isto ser de fato um preconceito e qual a motivação dele. Troquei mensagens direcionadas a cerca de 30 pessoas e, por sinal, parei de falar porque o limite de postagens do serviço foi atingido. O fato do Kid ter seus 23 mil amiguinhos e ele ficar me citando aqui e acolá não é minha responsabilidade.
De todo modo, questionei os motivos do Kid, que disse querer ajudar o sujeito, “alertando sua família e escola”. Vendo o histórico de alguém que se considera o santo troll da internet, que já mandou e-mails lá do Canadá pra cá, visando foder gratuitamente a vida de alguns brasileiros que pisaram em seu calo (já ouvi falar até em sujeito demitido por conta de ações dele), fica um pouco difícil crer na intenção nobre do rapaz. Desculpe, eu acredito que ele fazia tudo “for the lulz”, e claro, por ser do Ceará, pode naturalmente ter se doído com a agressão.
E não, isso não é uma extensão da discussão, é um esclarecimento e um desabafo mais claro do meu ponto de vista. E eu não preciso de ninguém, de novo, me atacando e distorcendo meus argumentos em seus blogs. Ninguém será barrado nos comentários, mas reservo-me o direito de não responder trollada barata.
Os amigos virtuais com presentes reais – #twittoculto2010
A princípio eu não gostava, nunca curti esse negócio de amigo secreto. Mas ele te persegue, e nos quais você não participa, pelo menos com pessoas do seu círculo pessoal diário, você vira o indigesto, aquele anti-social que não quer brincar, então tá… como de anti-social eu já tenho cara, participo pra não ficar pior que o próprio Satã.
Lembro de uma vez, no segundo ano da Catequese – sim, eu fiz isso, tinha uns 10 anos… mães mandam na gente nessa época, pois é – aliás, tem gente que chama de Catecismo e outros nomes esquisitos, resumindo, é aquela escolinha bíblica que todo católico faz para fazer Primeira Comunhão e depois Crisma, e consequentemente poder casar. Acho que era a única motivação real que alguém te dava, diziam que você não ia casar, ser um sujeito forever alone e tal, então fazia né… hoje nem sei se casarei na igreja, ironia. Fui também o pior inferno em todos os anos daquele negócio com todas as minhas perguntas, as catequistas devem ter ficado meio atéias depois de me conhecer (ou me consideravam o próprio anti-cristo, não descarto).
Rapha, o que é este tal eRepublik?
Muitos que me conhecem, sobretudo pela internet, já devem ter visto ao menos uma vez eu mencionar o eRepublik, seja twittando com sua hashtag ou apenas vendo o link do meu perfil no jogo em fóruns e outros sites.
Então, visando esclarecer um pouco mais sobre o “jogo” e possivelmente embasando algum post futuro, vai aí um breve resumo sobre a brincadeira – que talvez não seja tão breve assim. A grosso modo, e de uma forma que pouca gente entenderia, é comum se dizer “o eRepublik é um simulador sócio-econômico-político-militar”. Ok, e isso significa? Significa que você encarna uma persona que pode ser exatamente como você é, ou o seu oposto, tudo o que você não faria na vida real. A história se passa no “Novo Mundo” e, em tese, busca refazer a história da nossa civilização, do zero.
O jogo não depende de instalação e se passa via navegador, você só precisará de internet, não necessariamente rápida. E ao contrário da maioria dos jogos de navegador, este me surpreendeu e interessou, não fosse isso, não teria minha conta aberta há quase 18 meses. Mas sendo nesta plataforma, ele tem tantos gráficos como MafiaWars ou FarmVille, talvez menos. Não espere controlar bonequinhos que saem invadindo vilas e construindo reinados, como em Age of Empires, o jogo é muito no campo das idéias e socialização.
Lá você pode ser um político e dos bons, que não rouba e consegue sobreviver sem ser linchado por seus pares. Ou quase. Hoje há divisões para presidentes partidários, congressistas e presidentes dos países. Além de acertar políticas econômicas, os presidentes coordenam as estratégias militares, junto de seus Ministros da Defesa (repare o cargo de alto escalão, o jogo te faz sentir importante rapá, por todos os minutos que você está ali, apenas, mas enfim…) e outros assessores. Cada país estabelece como prefere administrar seu território, mas em geral há boa parte dos ministérios que há no mundo real, desde que aplicável às necessidades do jogo. Presidentes de partido controlam seu “time” e escolhem aqueles que concorrerão às vagas do Congresso, estes, por sua vez, propõem e votam leis importantes ao país, além de serem responsáveis por prover cidadania aos imigrantes que se mostrarem merecedores e até, se for o caso, mas em geral em última instância, propor o impeachment do Presidente da República.
Nota: o partido político do qual faço parte no jogo e sou um dos criadores, o PDB, Partido Democrata Brasileiro, não possui nenhuma relação ou laço ideológico com o partido de nome similar que existiu, existe ou existirá no mundo real. Mera coincidência. Portanto, não faça pré-julgamentos baseado nessa informação :)
Falei da parte militar? Pois é, como cidadão você tem o direito de treinar todo dia e ir
aumentando sua força gradualmente. Lutando em guerras, reais ou simuladas (que chamamos de war games), você acumula pontos para subir de patente, até chegar a máxima, o Field Marshal, que o configura entre os cidadãos (é assim que você é tratado em geral, pelo jogo) mais fortes e de certa forma importantes a países ou mesmo alguns grupos de mercenários que existem por lá. Macromilitarmente (finja que a palavra existe) falando, seu país conquista outros territórios e pode até riscar determinada nação do mapa quando a controlar por completo – e daí a importância dos militares mais fortes. Imagine a situação patético-hipotética de Portugal atacar nosso território e fincar uma bandeira em todos os quatro estados do sudeste? Pois é, complicado aceitar.
No setor econômico você pode basicamente trabalhar para as empresas disponíveis no jogo, onde ao trabalhar também aprimora sua produtividade em determinada área e recebe seu salário por isso. A alternativa é criar sua empresa, ou empresas, podendo possuir verdadeiras holdings e possuir seu pequeno império particular, com amigos em sociedade e até mesmo através de IPOs. Também é possível especular no mercado monetário e ainda em alguns bens acabados como casas, hospitais e sistemas de defesa.
E como não poderia faltar, há a imprensa. Oras, quem iria sacanear os políticos, por mais que eles tenham boas intenções? O jornalista exerce funções noticiosas de fato, relatando os últimos ocorridos mundo afora, denúncias contra eventuais jogadores trapaceiros (e lá os políticos são só a ponta do iceberg neste quesito), tutoriais para novatos (há centenas, talvez milhares de artigos no estilo deste, apenas mais focados), entretenimento, traduções de artigos interessantes vindos de outros lugares e o que vier à cabeça. Por alguns trocados virtuais (você pode conseguir este dinheiro trabalhando, conseguindo alguns objetivos ou comprando com dinheiro real – é, PROFIT!!) você cria seu jornal, escreve seus artigos e começa a corrida pela melhor informação, mais votos e comentários em seus artigos, além da medalha de Media Mogul, que você obtém ao conseguir cada milhar de assinantes.
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Há ainda novos módulos sendo implementados ou melhorados e a plataforma continua em constante expansão e evolução. Hoje, confesso que não sei o que ainda me faz jogar, mas a empolgação naquilo é bastante cíclica. Consegui vários objetivos e posso me considerar conhecido entre o nicho de jogadores – hoje, cerca de 10.500 no Brasil e quase 240 mil no mundo. Como todo jogo que envolve política, economia ou militares, sempre aparecem aqueles estudantes maconheiros de filosofia pra dar uma de Che ou de Hitler, mas esse tipo de chato não dura mundo e logo que se vê sozinho, cai fora.
Ah, se você reparou acima, o classifiquei como “jogo”, entre aspas mesmo. Particularmente acho complicado chamar o “eR” de jogo ou apenas de jogo, já que todo o desenrolar é bastante complexo e acaba trazendo ao participante experiências diferenciadas, para alguns a primeira experiência com a idéia de trabalhar (você de fato precisa comparecer todos os dias para cumprir algumas metas), entender melhor sobre política e economia na prática, acaba melhorando sua leitura e escrita, faz seus primeiros artigos, socializa. De certa forma vejo como um dos raríssimos MMOs que não te isola completamente, incluso os muitos amigos que ou conheci por lá.
A boa notícia aos brasileiros é que há pouco tempo foi lançada a versão do jogo totalmente (ou quase) em português, o que facilita a vida de muitos por lá. Se você não entrar na brincadeira, espero ao menos que este artigo tenha lhe ajudado na melhor compreensão sobre o que se trata.
Links recomendados
eRepublik Wiki;
Ajude o Brasil;
Fórum eRepublik na hardMOB;
Fórum oficial do Brasil;
Segunda Opinião via eRepublik, o meu jornal no Novo Mundo;
Crie sua conta no eRepublik (o referrer apenas indicará ao jogo que eu lhe orientei até lá, se quiser, crie sua conta diretamente no site, sem nada atrelado).
Google Wave: muito mais que uma marolinha, muito menos que um tsunami
Meses atrás o projeto foi divulgado, depois, um seletíssimo grupo composto principalmente de profissionais da área de mídia e tecnologia recebeu alguns convites e agora eles estão passando de mortais a mortais, ainda que escassos. O conceito básico já era conhecido até então, a integração de serviços como e-mail, trabalho colaborativo, interação multimídia nos mais diversos formatos, mensagens instantâneas e mais. Teoricamente, o uso do serviço fica limitado apenas por sua criatividade ou suas necessidades.
A impressão que passa ao ver o público em geral comentar a respeito, é de que o Google Wave chegou, e pelo menos por agora, apenas para confundir. No fim da semana passada o Diego Messeri, do excelente iPhoneApps, me enviou um convite – que chegou, pasmem, dois dias depois. Provavelmente o próprio atraso faça parte da estratégia googleana de deixar o público ainda mais afoito para conhecer o serviço. Eis que ele aparece, você abre, espera um mundo novo se deparar em frente aos seus olhos e depara-se com isso:
Aí você entende primeiramente o porque de tantas reações do tipo “ok, meu convite chegou, e agora?” Sua primeira referência básica será o layout batidão do Outlook e não é para menos: pastas e ações à parte superior esquerda, contatos logo abaixo, conteúdo das pastas ao centro e conteúdo das mensagens à direita.
E agora? Faça bom uso da mensagem de boas vindas que trás uns rápidos tutoriais para seus primeiros passos na ferramenta (vídeos inclusos) e o mais importante, faça bom uso dos contatos – como a imagem evidencia, você já começa com alguns contatos previamente adicionados, incluso seu “anfitrião”. A lista, provavelmente baseia-se nos contatos do Google que possuem o serviço habilitado, o meu veio com o próprio Messeri, Thiago Mobilon do Tecnoblog, Pedro “Respider” e o Diego Plentz que eu juro não lembrar de onde conheço…
Sim, pegue seu Orkut (argh), delete todos os seus miguxos e veja o que sobra dele. Nada. Talvez um nada que seja menos pior do que antes, mas isso é conceito pessoal. Como o Wave é venosamente cooperativo, ou você “surfa” com todo mundo, ou não tem onda.
Tem o que fazer? Lógico! Há um universo de possibilidades que pode-se aproveitar, seja para o trabalho de empresas “tradicionais”, discutir seu site com os parceiros ou mesmo se divertir criando verdadeiras waves puramente /b/ style (se você não sabe o que é o /b/, recomendo fortemente que não acesse do trabalho, vai por mim).
Vai vingar e ser um sucesso? Em partes isso já é uma realidade. A propaganda que acabou tornando-se viral graças aos sites de tecnologia, twitter e diversos fóruns de discussão, a ansiedade de todos para conseguir um convite e ao menos experimentar e os sucessivos dias como trending topic no Twitter mostram que o marketing está feito. Se o público vai aderir é outro papo. O Google tem uma média de 96% de sucesso em tudo o que põe a mão, o que não quer dizer que algumas coisas não falhem miseravelmente, há então uns 4% de chance de tudo desmoronar. Se eu acredito nisso? Não.
Na pior hipótese o serviço será “orkutizado” e utilizado para a parentada trocar receita de bolo, postar foto da laje e mostrar pra todo mundo super lançamentos como “Pedro, dá meu chip” e “El Mamut”. Mas eu não acho que essa turma vá aprender a usar o serviço direito, não tão cedo.
Um dos hits da semana no YouTube, diga-se de passagem, é a versão de Pulp Fiction trabalhada no Wave, ficou tão legal quanto ilustrativo para entender melhor o serviço.
Se realmente estiver conhecendo o serviço agora, recomendo também que assista a um dos melhores vídeos introdutórios ao serviço, com 15 dias básicas e essenciais para um uso mais prático, rápido e proveitoso:
E agora vem a parte triste: não, eu realmente não tenho convites por enquanto. Minha conta veio limpinha nesse aspecto.
Quando (e se) os receber, comunico aqui mesmo no blog ou twitter e encontro uma forma de distribuir ou sorteá-lo(s) aos interessados.
O último legado de Michael Jackson à indústria da informação
25 de junho, quase dois meses atrás o mundo perdia mais um ídolo, e não era qualquer ídolo, mas certamente alguém inigualável por gerações e gerações que ainda virão. A morte do Rei do Pop não marcou apenas seus fãs ou admiradores, pois seus desdobramentos, rumores e discussões a respeito fizeram parte do dia-a-dia de milhões de pessoas por semanas a fio. Ora o interesse era a respeito de seu funeral, a dúvida sobre como e onde ocorrera seu sepultamento, a divisão de filhos e bens do astro e ora passou a tratar-se das condições que o levaram a óbito. A hipótese de homicídio ainda não parece descartada.
E voltando à tarde daquele fatídico dia, dois fatos saltam, mesmo aos olhos mais incautos: o papel da internet e o meio como os fatos foram cobertos pela mídia.
A internet fez toda a diferença, minutos após os primeiros rumores vinculados na imprensa, seja via TMZ, Associated Press, Reuters, LA Times e outros, sites como Twitter e Facebook já disparavam mensagens de dúvida, lamentações e incredulidade aos milhões. O mundo queria e precisava saber. Nunca se viu tamanha cobertura de evento algum. Mesmo as eleições nos EUA, que consagraram Barack Obama o primeiro presidente negro daquele país, não resultaram num fluxo tão absurdo e avassalador de dados e informações. A velha brincadeira de “derrubar a internet”, que sempre parecia piada conspiratória, já parecia algo factível por alguns instantes. Imediatamente após ás 18h aqui no Brasil, meu provedor de acesso começou a sofrer, bem como sites de busca, relacionamento e agências de notícias apresentavam sinais de colapso em sua infraestrutura. O mundo parou para googlar, twittar e blogar a respeito.
O segundo fato que chamou atenção tem relação direta com o primeiro. Todo mundo queria manter-se informado, e todos os que informam, logicamente queriam informar primeiro. A onda de informações que surgia, vinda de todos os lados e fontes era imensa. E em quem devíamos confiar? Os mais renomados sites – até então – tropeçavam em si próprios num movimento vergonhoso em análise posterior. Em minutos, todos os sites que não tinham suas redações sofrendo algum incêndio ou inundação, estavam trabalhando nisso. Ouso dizer que até o Valor deve ter publicado a respeito.
Horas e dias após a morte de Michael Jackson, já era possível ver inúmeros blogs com a abordagem dos sites e a comoção mundial sobre o ocorrido. E uma abordagem diferenciada é justamente a respeito da inconsistência das informações divulgadas pela imprensa, motivada pela pressa e voracidade em ser o primeiro a informar, confirmar ou desmentir, inúmeros jornais, sites e agências de notícias publicavam tudo o que encontravam como verossímil. Na verdade o tamanho da fome era tão grande, que aposto que se qualquer pessoa publicasse um hoax num blog zerado, corria o “risco” de ter sua brincadeira na primeira página de algum jornal ou site.
E naquelas horas ou minutos de mais desencontros que razão, acabei por salvar o índice dos principais sites e agências do Brasil e do mundo. Num primeiro momento, como bom fã de Jackson, minha intenção era ter uma bela pérola guardada em caso de falso-positivo a respeito de sua morte. Infelizmente esse desmentido não veio, o que não quer dizer que deixei de capturar verdadeiras obras do despreparo.
O site TMZ, como amplamente divulgado, foi o primeiro a noticiar e disso, praticamente não há dúvidas. Num primeiro momento poderia-se até especular que também estariam sendo irresponsáveis, mas a editoria do próprio prontificou-se a confirmar suas fontes. Esta era a página do site nos primeiros minutos post mortem:

A Associated Press não ficou atrás, e reconhecida como uma das maiores agências de notícias em todo o mundo, publicou seu release:

Posto isso, o que se viu adiante foi um show de horrores no quesito qualidade da informação.
Algumas fontes ainda se prestaram a mencionar o fato com certa cautela, seja mencionando a morte entre aspas ou mesmo citando suas fontes, como o TMZ e a AP. Neste âmbito, encontramos os britânicos BBC e The Times, os estadunidenses The New York Times e Washington Post e o brasileiro G1, pertencente ao grupo Globo.





E na categoria maria vai com as outras, pode-se dizer que muitos jornais puseram seus nomes e reputações em xeque, confirmando veementemente e já iniciando a “cobertura completa” e suas respectivas “homenagens” ao falecido. Na Europa, poucos dos grandes escaparam e aqui posso mencionar o italiano Corriere della Sera, o francês Le Figaro e até o jornal de embrulhar peixe tablóide britânico The Sun. O americano Los Angeles Times não ficou de fora, bem como os brasileiros Folha de S.Paulo e o portal UOL.






Mas quem se salvara dentre tantos? Ora, vejam só, a imprensa argentina. Sim, o Clarín teve a decência de informar o que era certo, apenas. Um dos poucos que não encomendou o peru na véspera.

Diante de tudo isso, deixo duas menções honrosas. O retrato do desespero do site do jornal O Globo – um dentre dezenas que trocaram de versão várias vezes.
E a outra menção fica com o blogueiro Perez Hilton, um dos poucos com discernimento e razão na hora do pânico da imprensa. Vale o shot de suas twittadas naquele momento:

Do ocorrido pode-se concluir um pouco do óbvio e algo não tão óbvio assim. A imprensa cumpre seu papel de informar o público e para isso, não mede esforços ao correr atrás da melhor e mais precisa informação para seu público-alvo. Ou pelo menos é o que deveria ocorrer. Neste caso, temos alguns exemplos de confiabilidade, alguns dúbios e outros que chegam a assustar. O pior não chegou a ser registrado, e foi justamente o caos nas redações mundo afora. Fica a marcante sensação de que estamos a deriva, nas mãos de informações atrapalhadas, se um site tido como “de celebridades” é quem traz a informação mais precisa e correta quando se comparado a inúmeros jornais renomados e com décadas (ou séculos) de história. TMZ e AP sim, tinham suas fontes confiáveis, e o resto? Boa parte não fez melhor do que eu ou você poderíamos ter feito sem muito esforço: buscou nos sites alheios, compilou e publicou aquilo que lhe parecia mais válido.
Imprensa é informação ou control-c e control-v? Hoje mais do que nunca, temo concordar com a segunda alternativa. Pior, mais e mais fontes que se dizem “informadoras e formadoras de opinião” não param de surgir em função de lucros crescentes no mercado virtual e decrescentes na versão impressa, em decadência e cada vez mais próxima de um certo fim anunciado.
Resta ao leitor se especializar ao menos no assunto que prefere (esportes, política, celebridades…) e filtrar com cautela suas fontes. O caso exposto não quer dizer que aqueles que publicaram certos fatos sem a devida confirmação, necessariamente não são boas fontes, mas demonstra a enorme vulnerabilidade dos sistemas de informação e imprensa por todo o mundo.
No mais, além da saudade e grandes sucessos que ficarão para sempre na história, Jackson nos deixou um último legado valioso ao mostrar a verdadeira imprensa que nos cerca – e suas falhas.





