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U2: E então virá o terceiro show
Não, não estou falando da música de Bono e seus amigos biscoitos marotos (trocadalho cretino) da banda. Falo do show de horrores que tem se tornado essa (des)organização na venda de ingressos. Eu poderia fazer uma análise, criticar, dar xilique ou simplesmente fazer vocês rirem muito (sério, cliquem neste link).
Mas vou apenas falar o que acontece e o que vai acontecer, me divirto mais e não perco tempo chovendo no molhado. Read the rest of this entry »
Assista a todos os clipes dos VMA – Indicados e vencedores
Após todo o show que envolve o MTV Video Music Awards, percebi que, apesar de fã da premiação, nem eu havia assistido a todos os vídeos, incluso aí alguns premiados. Sendo assim, resolvi compilar aqui os vídeos de todos os indicados e, claro, os premiados.
Os vencedores estão em destaque e são os primeiros a aparecer. Os outros indicados com o link para o vídeo integrado ao texto, ou seja, apenas clique.
A experiência This Is It!
Na última segunda (2), aproveitei o feriadão e a oportunidade de morar numa cidade em que todos somem para passar o dia assando no carro e se ferrando no trânsito as praias em dias assim para finalmente assistir, junto da patroa, o aguardado “Michael Jackson’s: This is it”.
Com ingressos à venda desde 28 de setembro e os meus em casa desde a segunda quinzena de outubro, não vou negar que estava ansioso, sobretudo por ser fã do sujeito. E não, antes que perguntem, eu não acredito nos casinhos de pedofilia, nem no suposto tratamento para “desnegralizar”, fatos que a mídia em geral adorava para vender um ou outro jornaleco a mais.
Sobre o cinema em si, nada muito excepcional. Umas 20 ou 30 pessoas na sala e no máximo havia um povinho isento (tm Morróida) enchendo o saco com seus super modernos celulares com câmera de um mega… três retardados(as) resolveram tentar gravar o filme. Mais ou menos uma tentativa lamentável de fazer um TS ali dentro, claro, com um celular fuleiro nas mãos, sem bateria suficiente, sem um tripé e com todos os leds piscando e tirando minha atenção. Adivinha o que eu fiz? Fui falar com eles? Não, isso seria muito pessoal e sem graça, me cocei e levantei da cadeira, indo logo aloprar o segurança do cinema, “hey amigo, estão pirateando o filme lá dentro, vem ver”, o que rendeu no mínimo a cena da noite. Infelizmente ele não expulsou os idiotas dali (confesso que era minha intenção), mas não vi aqueles celulares sairem mais de bolso algum nem pra ver a hora hahaha.
Mas falando especificamente sobre o que seria esta turnê, meu ponto aqui, é que os olhos brilharam e todo fã de MJ, não, todo fã de música se emocionaria. Vê a imagem acima? Isso era parte dos ensaios da turnê que teria o mesmo nome do filme. Um Michael completamente diferente daquele que se via e que era mostrado nas tevês do mundo. E um profissionalismo absurdo, assustador, mesmo!
O filme, que é uma compilação de ensaios diversos para o verdadeiro espetáculo que viria, não fosse a fatalidade, te traz à mente a idéia de que qualquer show que você já foi, por mais grandioso e diferente que fosse, não seria nada perto deste. Praticamente cada música tinha cenário, montagens e efeitos especiais próprios – e eu não falo de qualquer peão “voando” pendurado numa corda e com duas asas de isopor nas costas. Ali, só efeitos hollywoodianos!
Aqui por exemplo, a entrada para Smooth Criminal. Thriller? Teria nova versão 3D, totalmente renovada e agora com efeitos dos anos 10, no more 80’s. E aí só melhora, há Jackson saindo de dentro de robô gigante (e perfeito), muito fogo no palco (eu teria traumas com fogo se fosse ele, Michael has cojones), luzes como em dia de show, fumaça, dançarinos, técnicos, todos trabalhando ao máximo, nos ensaios. Um profissionalismo assustador, de desafiar qualquer um de ter visto show melhor que o que a turma dele costumava chamar de ensaio.
Vale a pena também para conhecer o homem, o profissional, o perfeccionista que ensaiava à exaustão, reclamava ao primeiro deslize e exigia o máximo não só da equipe, mas de si mesmo. E quando entramos em músicas como Human Nature, ele passa a falar de sua relação com a natureza e toda a preocupação pessoal com isso. Outra celebridade que se preocupe com isso? Humm.. talvez um político e um músico irlandês, não muito mais que isso. E confesso que senti sinceridade naquelas palavras.
Vestuário também era coisa à parte. Como na primeira foto, ás vezes eles ensaiavam quase que de pijamas, conforto é essencial. E como nos shows, boa parte dos ensaios era em ritmo de… show, também nesse aspecto. Um show inesquecível com muita coisa bem feita, muita coisa legal e nova – e uma infeliz calça cegante, mas isso era menor.
Ontem dei uma volta no shopping e acabei me segurando para não assistir novamente caso houvessem ingressos. A mim, ficam duas certezas: o mundo perdeu o maior show jamais visto e eu vou atrás do Blu-Ray disso assim que sair em pré-venda.
Não é um filme. Não é um documentário. É uma grande experiência artística, pessoal e profissional, com música que poucos sabem fazer, se há quem faça.
O último legado de Michael Jackson à indústria da informação
25 de junho, quase dois meses atrás o mundo perdia mais um ídolo, e não era qualquer ídolo, mas certamente alguém inigualável por gerações e gerações que ainda virão. A morte do Rei do Pop não marcou apenas seus fãs ou admiradores, pois seus desdobramentos, rumores e discussões a respeito fizeram parte do dia-a-dia de milhões de pessoas por semanas a fio. Ora o interesse era a respeito de seu funeral, a dúvida sobre como e onde ocorrera seu sepultamento, a divisão de filhos e bens do astro e ora passou a tratar-se das condições que o levaram a óbito. A hipótese de homicídio ainda não parece descartada.
E voltando à tarde daquele fatídico dia, dois fatos saltam, mesmo aos olhos mais incautos: o papel da internet e o meio como os fatos foram cobertos pela mídia.
A internet fez toda a diferença, minutos após os primeiros rumores vinculados na imprensa, seja via TMZ, Associated Press, Reuters, LA Times e outros, sites como Twitter e Facebook já disparavam mensagens de dúvida, lamentações e incredulidade aos milhões. O mundo queria e precisava saber. Nunca se viu tamanha cobertura de evento algum. Mesmo as eleições nos EUA, que consagraram Barack Obama o primeiro presidente negro daquele país, não resultaram num fluxo tão absurdo e avassalador de dados e informações. A velha brincadeira de “derrubar a internet”, que sempre parecia piada conspiratória, já parecia algo factível por alguns instantes. Imediatamente após ás 18h aqui no Brasil, meu provedor de acesso começou a sofrer, bem como sites de busca, relacionamento e agências de notícias apresentavam sinais de colapso em sua infraestrutura. O mundo parou para googlar, twittar e blogar a respeito.
O segundo fato que chamou atenção tem relação direta com o primeiro. Todo mundo queria manter-se informado, e todos os que informam, logicamente queriam informar primeiro. A onda de informações que surgia, vinda de todos os lados e fontes era imensa. E em quem devíamos confiar? Os mais renomados sites – até então – tropeçavam em si próprios num movimento vergonhoso em análise posterior. Em minutos, todos os sites que não tinham suas redações sofrendo algum incêndio ou inundação, estavam trabalhando nisso. Ouso dizer que até o Valor deve ter publicado a respeito.
Horas e dias após a morte de Michael Jackson, já era possível ver inúmeros blogs com a abordagem dos sites e a comoção mundial sobre o ocorrido. E uma abordagem diferenciada é justamente a respeito da inconsistência das informações divulgadas pela imprensa, motivada pela pressa e voracidade em ser o primeiro a informar, confirmar ou desmentir, inúmeros jornais, sites e agências de notícias publicavam tudo o que encontravam como verossímil. Na verdade o tamanho da fome era tão grande, que aposto que se qualquer pessoa publicasse um hoax num blog zerado, corria o “risco” de ter sua brincadeira na primeira página de algum jornal ou site.
E naquelas horas ou minutos de mais desencontros que razão, acabei por salvar o índice dos principais sites e agências do Brasil e do mundo. Num primeiro momento, como bom fã de Jackson, minha intenção era ter uma bela pérola guardada em caso de falso-positivo a respeito de sua morte. Infelizmente esse desmentido não veio, o que não quer dizer que deixei de capturar verdadeiras obras do despreparo.
O site TMZ, como amplamente divulgado, foi o primeiro a noticiar e disso, praticamente não há dúvidas. Num primeiro momento poderia-se até especular que também estariam sendo irresponsáveis, mas a editoria do próprio prontificou-se a confirmar suas fontes. Esta era a página do site nos primeiros minutos post mortem:

A Associated Press não ficou atrás, e reconhecida como uma das maiores agências de notícias em todo o mundo, publicou seu release:

Posto isso, o que se viu adiante foi um show de horrores no quesito qualidade da informação.
Algumas fontes ainda se prestaram a mencionar o fato com certa cautela, seja mencionando a morte entre aspas ou mesmo citando suas fontes, como o TMZ e a AP. Neste âmbito, encontramos os britânicos BBC e The Times, os estadunidenses The New York Times e Washington Post e o brasileiro G1, pertencente ao grupo Globo.





E na categoria maria vai com as outras, pode-se dizer que muitos jornais puseram seus nomes e reputações em xeque, confirmando veementemente e já iniciando a “cobertura completa” e suas respectivas “homenagens” ao falecido. Na Europa, poucos dos grandes escaparam e aqui posso mencionar o italiano Corriere della Sera, o francês Le Figaro e até o jornal de embrulhar peixe tablóide britânico The Sun. O americano Los Angeles Times não ficou de fora, bem como os brasileiros Folha de S.Paulo e o portal UOL.






Mas quem se salvara dentre tantos? Ora, vejam só, a imprensa argentina. Sim, o Clarín teve a decência de informar o que era certo, apenas. Um dos poucos que não encomendou o peru na véspera.

Diante de tudo isso, deixo duas menções honrosas. O retrato do desespero do site do jornal O Globo – um dentre dezenas que trocaram de versão várias vezes.
E a outra menção fica com o blogueiro Perez Hilton, um dos poucos com discernimento e razão na hora do pânico da imprensa. Vale o shot de suas twittadas naquele momento:

Do ocorrido pode-se concluir um pouco do óbvio e algo não tão óbvio assim. A imprensa cumpre seu papel de informar o público e para isso, não mede esforços ao correr atrás da melhor e mais precisa informação para seu público-alvo. Ou pelo menos é o que deveria ocorrer. Neste caso, temos alguns exemplos de confiabilidade, alguns dúbios e outros que chegam a assustar. O pior não chegou a ser registrado, e foi justamente o caos nas redações mundo afora. Fica a marcante sensação de que estamos a deriva, nas mãos de informações atrapalhadas, se um site tido como “de celebridades” é quem traz a informação mais precisa e correta quando se comparado a inúmeros jornais renomados e com décadas (ou séculos) de história. TMZ e AP sim, tinham suas fontes confiáveis, e o resto? Boa parte não fez melhor do que eu ou você poderíamos ter feito sem muito esforço: buscou nos sites alheios, compilou e publicou aquilo que lhe parecia mais válido.
Imprensa é informação ou control-c e control-v? Hoje mais do que nunca, temo concordar com a segunda alternativa. Pior, mais e mais fontes que se dizem “informadoras e formadoras de opinião” não param de surgir em função de lucros crescentes no mercado virtual e decrescentes na versão impressa, em decadência e cada vez mais próxima de um certo fim anunciado.
Resta ao leitor se especializar ao menos no assunto que prefere (esportes, política, celebridades…) e filtrar com cautela suas fontes. O caso exposto não quer dizer que aqueles que publicaram certos fatos sem a devida confirmação, necessariamente não são boas fontes, mas demonstra a enorme vulnerabilidade dos sistemas de informação e imprensa por todo o mundo.
No mais, além da saudade e grandes sucessos que ficarão para sempre na história, Jackson nos deixou um último legado valioso ao mostrar a verdadeira imprensa que nos cerca – e suas falhas.



