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Algumas verdades sobre o mercado de trabalho – parte 2
Ontem, dei início a um texto sobre como desenrolam-se e como de fato são algumas coisas no trabalho, abordando a parte das entrevistas e seleções. Seguimos falando agora sobre o momento durante a sua jornada em uma organização, o emprego propriamente dito – ou como o empregador pode abordar tudo isso, ou talvez devesse.
Não leu o texto anterior? Leia primeiro!
O dia-a-dia no emprego
Ok, você finalmente venceu a maratona das entrevistas e conseguiu seu emprego! (Isso parece a narração naqueles “tutoriais” do Pateta, não?) Aqui ainda há pontos que podem ser usados na fase pré-emprego (a entrevista) e outros no dia-a-dia. Vejamos.
Uma coisa muito comum, mencionada horrendamente em excesso na tv e em publicações especializadas é sobre a sua vida virtual e sobre quanto ela fala sobre você. Que por exemplo, você não deve comentar no facebook ou orkut sobre o que você faz de reprovável. Dica número 1, “reprovável” é ter um orkut, uma vez que a empresa sabe que você tem orkut, não há nada de bom a esperar, exceto…
Algumas verdades sobre o mercado de trabalho – parte 1
Desde que se trabalha no mundo, fala-se e ouve-se conselhos de toda a sorte sobre como agir, da entrevista de seleção, ao dia-a-dia. E desde que a internet é algo que algumas (não todas) empresas costumam olhar, há ainda mais conselhos de conduta e etiqueta. Como bom revoltado que pensa de ladinho (tm EU), eu nunca gostei de muitos destes conselhos e concordo com a minoria sobre internet. Ao menos do ponto de vista prático, como selecionador e como empregado.
Além de ter atuado na área, gerido algumas pessoas e me graduado Bacharel em Administração (se você não tem um diploma, não se engane, não é grande coisa), eu gosto de analisar as pessoas do meu jeito, seu comportamento e a reação de terceiros. Eu tenho uma tocada a lá psicólogo barato e não graduado, mas acho realmente legal poder, ou pelo menos tentar “ler” as pessoas e seu modus operandi. Tudo isso me dá uma boa noção do que realmente acontece, e do que eu concordo, ou não.
Não, eu não tenho experiência com o “Mãe Joana 2.0”. E daí?
Há certo tempo deixei meu último ofício remunerado e estou desempregado prospectando ofertas pertinentes e/ou promissoras no mercado de mão-de-obra intelectual. E isso trás consigo, vantagens e desvantagens. Vantagem é ter mais tempo para você, para projetos paralelos, para blogar ás 4 da tarde de uma quarta-feira e até encarar uma prainha no meio da semana se eu quiser – afinal, morar em Floripa tinha que ter alguma vantagem. Desvantagem é menos dinheiro e algumas outras besteiras. Basicamente dinheiro, eu trabalho por dinheiro e não seja hipócrita de me ler enquanto pensa “ah eu gosto de trabalhar e busco auto-realização”. Eu me auto-realizo e satisfaço quando faço um bom churrasco, quando irrito gente ainda mais chata que eu, quando meto três numa noite, quando escrevo um bom post, quando sou reconhecido por N coisas que posso fazer, mas eu sei que estas coisas não vão pagar as compras do mercado ou o Sr. Barriga quando ele bater à minha porta. Então, antes de mais nada, eu trabalho por dinheiro, e as pessoinhas que trabalham com marketing e juram que o negócio serve para “satisfazer necessidades e desejos do público-alvo e organização, buscando uma relação ganha-ganha para ambas as partes e trálálá guaraná com rolha”, que paguem suas contas com um sorriso. Não sei seus credores, mas eu prefiro receber em espécie, transferência bancária ou PayPal.
Outra vantagem interessante é realmente ter (muito) tempo livre pra analisar coisas que você não perdia tempo pra olhar a um tempo atrás. E aí você vê diferente o caderno de empregos do jornal mais próximo ou da Catho on-line.
Primeiro: como tem vaga pra puta. Sério, se você é gostosa e passa fome ou decide roubar é porque é burra. Não estou mandando toda mulher necessitada virar puta, só estou dizendo que roubar não é exatamente falta de opção pra algumas – assim como homens podem jogar bolinhas no sinal ou se oferecer pra limpar um jardim, por exemplo. Compre um jornal qualquer, dois reais o Diário Catarinense, repleto de vagas para “acompanhantes para festas e eventos”. Mas claro, é proibido por lei anunciar esse tipo de trabalho, então eu finjo que não são vagas para putas. Se bem que aquele jornal já anunciou até “mulher com vírgula, diferenciada e disponível”…![]()
Ok, mas aí você procura vagas pra sua área. Administração é o que estudo, me dou bem com quase tudo (mesmo), aí vejo desde vagas para auxiliar administrativo (leiam: peão de escritório/severino/faz tudo) à gerente financeiro, onde tenho mais experiência e até um certo mimo pela área.
E os anúncios são incríveis! Exemplo típico:
Auxiliar de recursos humanos
Cursando ensino superior ou formado em administração ou contábeis; boa desenvoltura com informática e digitação; habilidade com Windows¹ e pacote Office; experiência na área; domínio do sistema “orientador”²; facilidade de aprendizagem. (…)
¹ Não, ninguém que saiba mexer com informática compreende o complexo e randômico Windows. Todo mundo nasce operando BSD.
² Substitua pelo que quiser: Desbravador, CaféExpress5.0, PseudoPharma Plus, Érriagá Ágil, Navegante, Turista Master, Fuck-you-I-don’t-give-a-shit8.3, MSN Messenger Blocker, [insira o nome da sua mãe], tanto faz.
Raios, porque diabos você, empregador idiota, se importa tanto com um sistema escroto que só a sua lojinha de muambas possui? Você não quer um sujeito com facilidade de aprendizado, dinâmico e tudo mais? Então o sujeito que é muito melhor e tem muito mais experiência ou formação, não é capaz de assumir a sua vaga só porque ele nunca teve a “honra” de trabalhar com o sistema super legal que seu sobrinho “hacker” desenvolveu?
Mas não era pra ser, supostamente, alguém que aprende rápido?
Sério, eu não consigo fazer a ponte lógica entre isso. Aprendizado fácil, dinamismo e experiência num sistema que qualquer um pega as manhas e “domina” após 5 minutos fuçando. Se fosse Photoshop, Excel, SonyVegas, Corel, Access, entre outros programas realmente interessantes e mais complexos, tudo bem, justifica-se a experiência anterior, mas pra qualquer coisinha?
Depois eu tenho o desgosto de ver empresário metido a bem sucedido falando na mídia “ah emprego no mercado? Tem sim, não tem é pessoal qualificado.”
Claro…![]()


